Março Mulher: enfrentar o feminicídio é uma responsabilidade coletiva

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Por Sergio Luiz Leite, Serginho

Você sabia que o Brasil registrou, em 2025, o número recorde de 1.568 vítimas de feminicídio? Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Os números mostram a dimensão do problema: em média, foram quatro feminicídios por dia no ano passado.

No estado de São Paulo, a situação é ainda mais grave. O número de feminicídios quase dobrou nos últimos anos, passando de 136 casos em 2021 para 270 em 2025; e cerca de 22% das vítimas tinham medida protetiva contra o agressor. Isso revela que apenas a formalização judicial não é suficiente se não houver fiscalização eficaz e uma mudança geral de comportamento.

Faz dez anos que a Lei do Feminicídio foi sancionada, e é importante esclarecer que o feminicídio não é qualquer homicídio. Trata-se do assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação contra a condição de ser mulher. Na maioria dos casos, o crime é cometido por companheiros ou ex-companheiros.

Diante dessa realidade, é fundamental fortalecer o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, uma iniciativa que reúne os Três Poderes e reconhece que a violência contra as mulheres exige ação contínua, responsabilidade institucional e transformação cultural. Nesse processo, a participação dos homens é indispensável, assumindo esse compromisso com respeito e construindo relações livres de violência.

As empresas também podem, e devem, abraçar esse pacto, promovendo campanhas de conscientização, canais internos de denúncia, acolhimento às vítimas e formação que inclua a igualdade de gênero.

As empresas também podem, e devem, abraçar esse pacto, promovendo campanhas de conscientização, criando canais internos de denúncia, garantindo acolhimento às vítimas e investindo em formação que inclua a igualdade de gênero. Os sindicatos, por sua vez, têm o papel de cobrar esse compromisso das empresas e promover campanhas de conscientização junto às categorias. Esse é um esforço coletivo, que exige o envolvimento de toda a sociedade.

Além disso, o governo tem papel fundamental no fortalecimento da rede de proteção e na aplicação rigorosa da lei, mas, sobretudo, precisa investir em prevenção, com campanhas permanentes e políticas públicas capazes de romper ciclos de desigualdade.

Março Mulher não é apenas um mês de homenagens. É um chamado à responsabilidade. Um chamado para que cada homem se comprometa com relações baseadas no respeito, na igualdade e na não violência.

Sergio Luiz Leite, Serginho
Presidente da FEQUIMFAR e
Vice-presidente da Força Sindical

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