Venceu a democracia! Em virada histórica, Lula é eleito para o 4º mandato

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Com 51,76% dos votos válidos e 99,82% das urnas apuradas, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República.

O presidente Lula e vice-presidente, Geraldo Alckmin, venceram a eleição no domingo, 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos no segundo turno da disputa, contra 48,21% do candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro (PL).

Lula teve 10 milhões de votos a mais no segundo turno – 64,25 milhões de votos –, virou a eleição em 13 estados, um fato totalmente inédito nas disputas eleitorais no país. Além disso, foi registrada e menor abstenção dos últimos 20 anos. As brasileiras e brasileiros deram uma lição de democracia na derrota ao fascismo.

É uma vitória da democracia sobre a extrema direita, que reafirma a força da participação popular e a defesa dos direitos dos trabalhadores. Seu significado ultrapassa as fronteiras brasileiras: a derrota do bolsonarismo enfraquece a extrema direita no cenário internacional e dá novo impulso às forças democráticas.

A virada nas ruas e nas redes

Depois de terminar o primeiro turno atrás do adversário, Lula construiu a virada com uma intensa campanha no segundo turno. As manifestações de rua, a mobilização da militância e o empenho dos movimentos sociais e sindicais foram fundamentais nessa caminhada.

Nas redes, a participação do deputado federal André Janones foi fundamental para impulsionar a mobilização. Criador do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, que atingiu 10 milhões de seguidores em cerca de duas semanas, Janones ajudou a ampliar a circulação das mensagens da campanha e a engajar apoiadores.

Essa força digital, somada às manifestações de rua, marcou a reação construída no segundo turno e fortaleceu a participação popular na disputa pelo futuro do país.

Mais realizações e participação sindical

Para o próximo governo, a expectativa é de mais realizações, avanços sociais e valorização do trabalho. O resultado renova a responsabilidade de responder às necessidades da população, combater as desigualdades e ampliar as oportunidades de emprego e renda.

Espera-se também maior participação sindical na construção das políticas públicas, com diálogo permanente e presença efetiva dos trabalhadores nas decisões sobre os rumos do Brasil. Os sindicatos, que participaram da mobilização eleitoral, têm papel essencial na apresentação de propostas e na cobrança dos compromissos assumidos.

A vitória nas urnas renova a esperança e o compromisso de seguir mobilizados por um Brasil mais justo, democrático e soberano.

Pronunciamento de Lula

Em seu pronunciamento à imprensa após a declaração da vitória, o presidente fez vários agradecimentos, à sociedade brasileira, aos idosos que foram votar, à rebeldia e ao entusiasmo da juventude, aos jornalistas, ao vice-presidente Geraldo Alckmin e, em especial, ao deputado federal André Janones, responsável por uma articulação digital que mobilizou milhões de pessoas e permitiu a disseminação de uma onda pró-Lula nas redes.

“Mais uma vez quero dizer para vocês que na medida que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões, tenho que governar para todas as idades.” No entanto, o presidente registrou a perplexidade de ter encarado uma disputa com um político com a biografia de Flávio Bolsonaro: “Me reúno todo ano com os principais presidentes do mundo discutindo os principais assuntos do mundo, mas eu nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do milicianismo desse país. Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta desfaçatez. Como se não tivesse dentro dele uma célula de humanismo. Parece tudo falso”.

Lula admitiu que aprendeu muitas lições no segundo turno, sendo a principal delas a importância da comunicação digital. “Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões.” O presidente afirmou que vai falar diretamente com o povo, sem intermediários e sem ser interpretado pela imprensa. “Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço.”

Respeito à Constituição

Lula reconheceu que é difícil falar em unidade do país, mas ressaltou que governa com base no respeito à Constituição. Disse, ainda, que o próximo Congresso também foi eleito pelo povo, e é com esse Congresso que ele terá que negociar para conseguir governar. “Vou trabalhar e vou aprovar as coisas.”

Segundo o presidente, a vitória, nesta eleição, não foi dele e de Alckmin. “Foi a honradez, o nacionalismo, a democracia e o futuro que vocês querem para os filhos de vocês que fez a gente virar.”

Lula enfatizou que seu exército foi vitorioso, e se transformou no exército da democracia desse país.

Regulação de big techs

O presidente abordou a necessidade de regulação das plataformas digitais. “Essa eleição foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime na vida real.”

A big techs, disse, ganham bilhões, não pagam nenhum imposto ao Brasil e ainda tentaram direcionar o resultado eleitoral, afirmou Lula.

Educação e Saúde

Lula disse que uma de suas maiores motivações no segundo turno foi vencer para não permitir que a extrema direita privatizasse o SUS [Sistema Único de Saúde]. O presidente abordou a necessidade de expansão e fortalecimento da saúde pública e destacou que haverá prioridade, no próximo mandato, à “política de cuidado com os nossos velhinhos, que são responsáveis pela nossa existência”.

Haverá, no próximo governo, a continuidade de uma “revolução na educação brasileira”. “Nós iremos universalizar escola de tempo integral nesse país até o ensino médio. Nós vamos universalizar o Pé-de-Meia para o ensino médio e vamos criar o Pé-de-Meia universitário para que nenhum jovem, nenhuma menina e menino desistam de estudar porque têm que trabalhar.”

Respeito às mulheres e a todas as religiões

O presidente destacou também a importância do voto das mulheres e disse que elas terão prioridade no próximo mandato. “Quero dizer para vocês que as mulheres serão tratadas com muito mais respeito pelas políticas públicas brasileiras.”

Lula fez questão também de enfatizar que o Estado brasileiro é laico e que todas as religiões serão respeitadas. “Ao Estado laico cabe garantir a liberdade religiosa plena para que as pessoas possam exercitar a sua fé com plenitude.”

“Este país está pronto para ser construído. Eu não vou falar a palavra unidade nacional porque essa palavra nem sempre cabe nesse país, mas eu quero que vocês saibam: se depender de mim, esse país só tem que ser civilizado. Esse país tem uma Constituição.”

Fonte: com informações de Rádio Peão Brasil e Rede PT de Comunicação.

Foto: Ricardo Stuckert.

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