8º Congresso da Força: diálogo e pluralidade

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Em meio a um momento político e econômico dos mais complexos da história do nosso país, dirigentes e ativistas da Força Sindical estamos empenhados num desafio bastante estimulante e absolutamente estratégico: organizar o nosso 8º Congresso. Marcado para junho, na Praia Grande, em São Paulo, esse encontro terá a incumbência de eleger uma nova direção nacional, com mandato de quatro anos (2017-2021). Ao mesmo tempo, deverá reforçar nossas grandes linhas de atuação, avançando o trabalho sindical por ramo de atividade e aproximando cada vez mais nossas instâncias executivas das bases nos locais de trabalho. Já em fevereiro, daremos inicio aos congressos estaduais que fazem parte das etapas do congresso nacional. Entre participantes com direito a voto nas etapas estaduais e nacional, deveremos chegar a mais de 5 mil delegados.

É uma Força Sindical madura, ágil, em crescimento e constante movimentação a central da qual iremos prestar contas aos companheiros e companheiras de todo o Brasil.

TESTE DE ESTRESSE DO IMPEACHMENT FOI VENCIDO – No campo político, soubemos no mandato que agora se encerra preservar os fundamentos da pluralidade que sustentam a unidade da nossa central desde a sua fundação, em 1991. Nestes 26 anos de lutas, convivemos internamente, em franca harmonia, entre líderes sindicais com diferentes opções partidárias, mas que sempre colocaram o interesse sindical, de suas categorias profissionais e da central que as representa acima das divergências momentâneas e estratégias próprias de ocupação de espaços e disputa pelo poder típicas dos partidos. Prova está no modo como ultrapassamos os duros momentos que antecederam e sucederam o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Nossos dirigentes garantiram, graças ao princípio da pluralidade, o direito a manifestarem, atuarem e trabalharem efetivamente pela posição escolhida, sem censuras ou interferências. Uma vez encerrado o processo do impeachment, o resultado foi que mantivemos nossa central unida, sem dissenções e, desse modo, robustecida. Em outras palavras, passamos pelo teste de estresse que aquele momento histórico representou.

Agora, frente ao governo Michel Temer, outra vez o escudo da pluralidade nos protege contra perdas de quadros e enfraquecimento do nosso discurso.

A Força garante a cada um e a todos os seus integrantes o direito de ser a favor ou contra o atual governo, mas igualmente estabelece que é com esse novo governo que devemos dialogar, negociar e pressionar pelos legítimos interesses que representamos.

A democracia, interna e na sociedade, é um valor universal para a Força!

PRIORIDADE ESTÁ NA LUTA PELO EMPREGO – Respeitadas as bandeiras partidárias de cada um, praticamos a mobilização das bases e as negociações com o empresariado e o governo em campanhas salariais e nas mesas de debates montadas em Brasília, em especial, neste momento, à volta das reformas trabalhista e previdenciária. Nossas propostas, apresentadas nestas mesas, têm alcançado grande repercussão na mídia e no Congresso. Todos sabemos da magnitude das dificuldades, da guinada conservadora da sociedade e do avanço dos grupos que atuam para subjugar e, mesmo, oprimir os trabalhadores. Porém, nossos argumentos, sustentados pela evolução da mobilização das bases (mesmo frente ao maior quadro de desemprego da história recente do País), têm sensibilizado milhões de brasileiros e brasileiras.

Acredito que estamos no caminho correto para travar malefícios e garantir direitos sob ameaça neste momento. Sem dúvida, ora ao lado das demais centrais, ora em iniciativas próprias, a Força está permanentemente em luta. É esse o nosso papel e dele não abrimos mão.

Lutar pela reanimação da economia e combater o quadro de deterioração do emprego, com  mais de 12 milhões de vagas fechadas nos últimos dois anos, é nossa prioridade. O desemprego é o pior que pode acontecer ao trabalhador. Não daremos trégua aos condutores da política econômica, sejam eles quais forem, até que esse déficit seja ultrapassado. O Brasil já provou que sabe e pode crescer, e precisamos reencontrar esse caminho.

Com um DNA reformista, que pauta nossa atuação pela melhoria das condições de trabalho e vida dos milhões de trabalhadores que representamos, não nos propusemos a destruir ou subverter os princípios da nossa sociedade, mas sim a conquistar avanços, todos os dias, na defesa de empregos com salários dignos, da preservação e ampliação do seu poder de compra, da prática do trabalho decente, do direito a benefícios, da garantia ao lazer. Não somos, nem nunca seremos, uma central do tudo ou nada, do oito ou do oitenta. Nosso traço de união, em todos estes anos, é o que alinha no mesmo fio condutor pressão e negociação, diálogo e mobilização, argumentação e embasamento.

O diálogo honesto e transparente entre dirigentes tem sido, sem dúvida, a principal ferramenta para a lapidação das relações internas na nossa central.

CONTENCIOSOS SÃO ENFRENTADOS COM TRANSPARÊNCIA – Ficou provado, durante a atual gestão, que não existem assuntos tabu, e cada um deles, mesmo que demandem mais tempo para a sua resolução, vai sendo maturado com naturalidade. Nossas grandes decisões têm sido tomadas às claras, à frente de todos, em encontros abertos e participativos. A Força é uma central de portas abertas para seus membros, na qual se procura enfrentar cada problema que se apresenta, sem subterfúgios ou protelações. Chegamos, assim, ao 8º Congresso, com uma bagagem na qual antigos contenciosos agora têm peso bem menor do que no passado recente.

O diálogo, repita-se, com exposição de divergências e busca de convergências é o principal responsável pelo ambiente positivo que está formado em torno do 8º Congresso da Força. É o diálogo, portanto, que merece ser cada vez mais estimulado, garantido e praticado. O respeito a ele e à democracia interna deve ser, nessa medida, o primeiro grande compromisso dos dirigentes que vierem a assumir a responsabilidade por conduzir a Força pelo próximo período.

Está claro desde sempre que os principais adversários da Força não estão entre nós, mas sim no ambiente de vida dos trabalhadores que representamos, no quadro político nacional, na fragilização da economia, na condução da política econômica e no histórico atraso patronal. Em outras palavras, nossa luta é contra os que se opõem à emancipação dos trabalhadores. Se dá junto às nossas bases, se amplia em greves, manifestações e atos, se estende pelas mesas de negociação. É uma luta lá fora, para a qual estaremos tanto mais preparados quanto mais unidos aqui dentro estivermos.

Sergio Luiz Leite,
Presidente da FEQUIMFAR e 1º Secretário da Força Sindical

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