Quem avisa amigo é!

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Por Sergio Luiz Leite, Serginho

Diz o ditado popular que quem avisa amigo é. O aviso é especialmente importante diante da gravidade do que está em jogo, dos direitos conquistados ao longo de décadas às nossas riquezas e à soberania nacional. Há quem esteja cansado da política, desacreditado dos políticos ou convencido de que votar não muda sua vida. Mas as decisões tomadas em Brasília continuam interferindo no salário, no emprego, na aposentadoria, nos serviços públicos e no futuro dos filhos. Quem se afasta da política não deixa de ser governado por aqueles que permanecem nela.

Nos últimos anos, o governo Lula retomou a política de valorização real do salário mínimo, ampliou a isenção do Imposto de Renda, recuperou o Minha Casa, Minha Vida e fortaleceu programas como Farmácia Popular, Mais Médicos e Bolsa Família. Na educação, criou o Pé-de-Meia para combater a evasão escolar. A retomada dos investimentos em infraestrutura e da política industrial recolocou o desenvolvimento nacional na agenda do país. Na área trabalhista, a luta do movimento sindical pela redução da jornada e fim da escala 6×1, sem redução salarial, representa um avanço histórico na garantia de direitos e só foi possível graças ao apoio e articulação política do presidente Lula. 

A reeleição de Lula é a única possibilidade de avançar nessas conquistas, assegurar aos brasileiros os benefícios gerados pela exploração das nossas riquezas naturais e promover um desenvolvimento que esteja a serviço da maioria da população.

O plano de governo de Flávio Bolsonaro se resume à submissão a interesses estrangeiros e à entrega do patrimônio nacional, desde a oferta das terras raras como alternativa para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China até a tentativa de transferir praias e terrenos de marinha da União a particulares. No campo trabalhista, Flávio Bolsonaro está entre os autores da PEC 12, que permite a prevalência do contrato individual sobre a negociação coletiva, com salários e direitos proporcionais às horas trabalhadas. Sua inspiração? Novamente, a lei estadunidense. 

Nos EUA não há obrigação de conceder férias remuneradas, décimo terceiro salário, licença médica remunerada ou intervalos para descanso e alimentação. A negociação direta, com fiscalização estatal e sindical enfraquecida, permite toda sorte de abuso empresarial, a exemplo dos entregadores da Amazon nos EUA utilizando garrafas plásticas para as suas necessidades diante da dificuldade de acesso a banheiros. Em vez do fim da escala 6×1, querem importar o “on-call scheduling” (escala de trabalho sob demanda) que transfere o risco econômico para o trabalhador.

Na economia, Flávio tem como referência o governo argentino de Javier Milei, país que já registrou o fechamento de mais de 32 mil empresas. As propostas incluem reformas, cortes e “tesouraço” de cerca de R$ 200 bilhões, bem como a discussão sobre desvincular benefícios previdenciários do salário mínimo. Só agora o senador resolveu negar a desvinculação, assim como negou ter pedido mais de R$ 130 milhões ao banqueiro, atualmente preso, Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O escândalo do Banco Master, que atingiu recursos previdenciários de servidores públicos, também envolve investigações da Polícia Federal sobre a negociação direta de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. A PF investiga ainda a suspeita de que parte dos recursos ligados ao banqueiro tenha financiado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde atuava politicamente junto ao governo Trump durante a ofensiva tarifária contra o Brasil.

No dia 25 de outubro, trabalhadores da ativa, aposentados, pensionistas e jovens terão a oportunidade de participar de uma decisão com consequências para os próximos anos. Nossas terras raras, praias, legislação trabalhista, Sistema Único de Saúde e Previdência Social fazem parte de um patrimônio coletivo que precisa ser protegido. Defender a democracia é assegurar que nossas riquezas e nossos direitos sirvam à população brasileira. Ignorar a política não nos livra das consequências das decisões políticas. Afinal, quem avisa amigo é!

Sergio Luiz Leite, Serginho
Presidente da FEQUIMFAR e
Vice-presidente da Força Sindical

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